sexta-feira, 26 de abril de 2013

Passeios em Chapada dos Guimarães- MT

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Cinco passos para frente, oito para trás – parte I


Mao Zedong
Final de um ano e início de outro sempre impõem a moda de fazer balanços e projeções. Abundam os profetas, tanto da boa-venturança como do apocalipse. Mao disse certa vez que era necessário saber dar três passos para frente e um para trás para ter êxito na luta. Esse pensamento serve para certificar que os processos evoluem por caminhos tortuosos, de muitas idas e voltas, êxitos e fracassos.
Entretanto, ocorre que o que se tem visto nas últimas décadas é que se foram dados cinco passos para frente em questões de tecnologia e ciência avançada, paralelamente foram dados oito passos para trás nas questões éticas, ou seja, em tudo o que implica e tem que ver com a preservação e a evolução da humanidade.
Quando se olha, por exemplo, o que se diagnosticava e prognosticava para a comunicação nas décadas 1960 e 1970 e o estado das coisas na atualidade, seguramente o recuo não é simplesmente de oito passos, mas de gerações relegadas a um atraso mental e histórico. Vejamos alguns exemplos:
Grande parte dos meios de comunicação de massa pertencia a oligarquias retrógradas, mas havia proprietários comprometidos com outros interesses e também forças sociais cuja presença não podia ser ignorada nem tergiversada. As denúncias eram contra o monopólio que exerciam cinco agências de notícias internacionais que respondiam a interesses de países de vocação colonialista ou imperialista. AP e UPI dos EUA, AFP da França, Reuters do Reino Unido.
Os embates pela democratização da comunicação que se travaram nessa época levaram à criação, no seio da Unesco, da Comissão Sean McBride, cujo informe final deveria constituir cátedra em todas as escolas de jornalismo do planeta. Esse debate resultou na formulação de políticas de estado de comunicação, criação de agências informativas estatais e inclusive a tentativa de juntar forças com o Pool de Agências dos Países Não Alinhados e o sistema Asin na América Latina. Havia oferta de informação alternativa oferecida por instituições como IPS, Prensa Latina, a soviética TASS ou a chinesa Xinhua.
O ponto álgido das iniciativas por democratização foi atingido no Peru quando a revolução dos coronéis, liderada pelos generais Juan Velasco Alvarado e Edgardo Mercado Jarín, expropriou  os jornais pertencentes às diferentes oligarquias e os entregou às associações de trabalhadores. O diário que pertencia a oligarcas proprietários de terras passou às mãos da confederação dos trabalhadores agrícolas; o que defendia os interesses do setor industrial e financeiro passou às mãos das organizações sindicais de trabalhadores no setor industrial. A televisão se tornou pública.
Não é difícil imaginar a gritaria dos membros da SIP e de todos os agentes de inteligência do mundo capitalista de então, um bloco que era minoritário e a muito custo mantinha uma débil hegemonia. Em um mundo pentagonal conformado pela URSS e o Pacto de Varsóvia; China Popular; Europa buscando sua integração; Estados Unidos buscando sua hegemonia; e os países do Terceiro Mundo, organizados no Movimento dos Não Alinhados. A América Latina se comportava como modelo alternativo e os países africanos recém libertados do colonialismo europeu construíam novos modelos. No início dos anos 1970 mais de dois terços da humanidade contestava o capitalismo.
É muito diferente o mundo que vemos pós Consenso de Washington.
Nas questões de tecnologia foram dados cinco passos para frente. Resultado: entre 80% e 90% dos domicílios possuem televisor, telefone, água e energia elétrica. Quase 50% já têm computador, dos quais 37% conectados à Internet. Graças à boa qualidade de algumas de nossas universidades passamos décadas exportando cérebros, principalmente para o Japão (300 mil), EUA (1.8 milhão) e Europa (l milhão). Diáspora que arrastou milhões de brasileiros.
Os meios de comunicação que pertenciam às oligarquias conservadoras, em grande parte e principalmente nos grandes centros urbanos, passaram às mãos de grandes conglomerados empresariais, geralmente capitaneados por instituições financeiras. Impôs-se nas redações o pensamento único e a desonestidade intelectual para defender o indefensável. Do Canadá à Patagônia, passando pela União Européia, os diários parecem ter sido editados por uma única pessoa. As forças sociais agora só aparecem para ser criminalizadas. A televisão, por sua parte, cada vez cumpre com mais eficácia seu papel de imbecilizar as pessoas, seja como promotora do consumismo ou por inocular doses exageradas de produção estadunidense de apologia à violência e outros costumes alheios a nossa tradição.
A política indígena que nunca andou para frente em 500 anos, passou por etapas de maior ou menor grau de extermínio e ganha novo auge depois de um curto período em que parecia que se caminhava para a aceitação da diversidade étnica e cultural. Nunca se mataram tantos índios como nas últimas décadas do século XIX até a metade do século XX. O incremento á emigração européia, o estabelecimento de colônias de imigrantes nos Estados do Sul e Sudeste, a ocupação das fronteiras agrícolas no Oeste de São Paulo, seguida para o Sul do Mato Grosso, Norte do Paraná, tudo isso sobre terras habitadas por indígenas que foram expulsos ou exterminados de diferentes maneiras.

O que mudou para os índios?
“Se antes lutávamos pelo cumprimento de nossos direitos, hoje lutamos por não perder esses direitos”, diz Sonia Guajajara, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.  As novas fronteiras agrícolas e também as já velhas áreas de lavoura, agora são ocupadas por grandes corporações agro-industriais, através de una política de terra arrasada, sem o mínimo respeito à natureza. Tudo isso por um modelo que reverteu o país a mero exportador de commodities. Essa voracidade por terras provocou nova etapa de confronto com os povos originários. Povos que têm como única arma sua razão de ser e de pretender ser reconhecidos. Contra eles os pistoleiros, os paramilitares e as forças policiais.
Com uma população rural de mais de 60% em 1950, a população urbana superou 70% em 1970, 86% em 2010 e hoje supera os 90% em São Paulo, o mais rico e povoado dos estados brasileiros. As políticas de desenvolvimento executadas tinham em vista criar uma base industrial que pudesse incluir essas massas de migração interna ao processo produtivo. Como resultado se via funcionando um poderoso parque industrial, exportava-se com alto valor agregado e se chegou ao pleno emprego.
Antes que terminasse a década de 1970 já o país se afundava no atoleiro da recessão com o abandono das estratégias de desenvolvimento a favor da ditadura do capital financeiro especulativo. O resultado do período, que ficou conhecido como “décadas perdidas”, representa, sem dúvida, muito mais do que oito passos para trás.
Com um crescimento demográfico em torno 3% ,com o PIB chegando quase a zero, deixou-se de criar 1,5 milhões de novos empregos para abrigar as novas gerações que anualmente ingressam ao mercado de trabalho. A esse exército se juntam os despedidos pelo fechamento de fabricas, pela concentração das propriedades em mãos dos grandes conglomerados e pela desnacionalização.
Essa imensa massa de desempregados subempregados, precarizados, sobrevivendo na informalidade se concentrou nos arredores das cidades, formando uma outra cidade, marginalizada, excluída do processo de desenvolvimento econômico e social. Nas cidades vive-se em clima de guerra civil, que deixa mais de 50 mil mortos por ano. Um verdadeiro genocídio praticado principalmente contra jovens, na maioria negros.
No extremo dessa marginalidade social encontram-se os 40 milhões contemplados com os programas sociais tipo fome zero, bolsa família e outros. Esses milhões incorporados ao consumo seguramente constituem uns cinco passos para frente, mas insuficientes quando foram dados muito mais que oito passos para trás durante as décadas perdidas.

 O projeto para a má educação
A anunciada universalização do ensino foi uma das maiores fraudes dessas décadas passadas. Serviu para gerar bons negócios e péssima educação.
O índice de escolaridade que em 1970-80 era de 2,8 anos subiu para 7 nos anos 2000, mas isso pouco significou, pois o nível de analfabetismo se mantém em taxas próximas a 20% e o analfabetismo funcional ultrapassa os 70% em todo o país, inclusive em estados como São Paulo, com universidades de excelência e um sistema de produção que requer mão-de-obra qualificada. Em vista disso é que o antropólogo e educador Darcy Ribeiro dizia que a má educação no Brasil não é conseqüência, é projeto. De fato, projeto para manter as massas marginalizadas paralisadas pela ignorância, pelo medo e pela desesperança.
Hoje se reconhece que o principal obstáculo ao desenvolvimento é a ausência de quadros preparados para se incorporar ao processo produtivo. E a questão crucial é a qualidade da educação.

*jornalista editor de Diálogos do Sul

Cinco passos para frente, oito para trás – parte II


D2
Em pleno século XXI o Brasil insiste em fórmulas que já foram requentadas inúmeras vezes ao longo da história do país e constituem a causa do atraso cultural e do subdesenvolvimento. O que se pretende mostrar neste artigo é que, de tantos passos para trás voltamos ao tempo de D. João VI, que fugindo de Portugal implantou o reino do Brasil.
As commodities são os produtos primários, minerais ou vegetais que são exportados sem valor agregado. Desde os tempos coloniais os preços desses produtos são geralmente ditados pelos compradores. O permanente aviltamento dos preços tem estado entre as principais causas da permanência dos países do terceiro mundo no subdesenvolvimento. Em todos os fóruns criados para as relações internacionais essa discussão ocupa o primeiro plano.
A historia econômica do Brasil está ligada aos ciclos de comércio de produtos primários, madeira, açúcar de cana, ouro, café, ferro. A transformação do Brasil em reino “independente” nada significou do ponto de vista da construção de um estado independente. D. João VI abriu os portos à hegemonia dos ingleses e proibiu qualquer tentativa de industrialização, até mesmo de manufaturados básicos, como roupas, por exemplo.
Bem ou mal, os ciclos geraram riquezas e pessoas e assim foi sendo construída esta nação. A Revolução de 1930 abre nova etapa no desenvolvimento, com ênfase na substituição das importações,  na criação de uma infra-estrutura que permitisse iniciar um círculo virtuoso de industrialização. E os estudiosos da história econômica apontam o café como o grande gerador de recursos para esse novo modelo. No auge desse ciclo, no país se fabricava desde locomotivas até alfinetes, a maior parte produzida por indústrias nacionais.
As décadas perdidas sob a ditadura do capital financeiro devolveram o país à situação da época de D. João VI. Grande parte da indústria nacional foi liquidada. Os setores mais dinâmicos – aqueles de mais rápido retorno do capital – passaram às mãos de transnacionais, muitas delas de origem estadunidense. Pertencem a esse lucrativo setor os produtos farmacêuticos, alimentos industrializados, produtos de higiene e limpeza, bebidas.
O furacão neoliberal privatista varreu a soberania sobre os recursos naturais, os serviços básicos de eletricidade e telefonia e quase consegue desmantelar  o setor bancário e a Petrobrás, sendo que esta passou a ser e se comportar como uma transnacional qualquer. Dos bancos, salvaram-se das investidas do capital estrangeiro nada mais que duas instituições privadas (Itaú-Unibanco e Bradesco) e outro tanto ou pouco mais de estatais (Banco do Brasil, Caixa, BNDE). Passaram para mãos privadas estrangeiras instituições como os bancos dos Estados de São Paulo (Banespa, que era o 2º maior do país) e do Rio de Janeiro (Banerj, o 4º em importância).
O caso mais emblemático de alienação de patrimônio foi a venta de empresa de mineração Vale do Rio Doce, comprada com moeda podre (títulos de dívida) que incluiu as jazidas em exploração e as em prospecção, bens da nação, e que transformaram a empresa na maior exploradora de minerais de todo o mundo. De maneira ininterrupta e sem controle, os minerais saem pelos portos em fluxo contínuo alimentando estoques estratégicos na China e nos Estados Unidos. O Brasil representa 75% do comercio de mineral de ferro e apenas 2% do comércio de aço. Vende o mineral bruto e importa o aço.

Que vantagens oferecem as commodities?
Os números parecem indicar que os únicos que levam vantagem são os poucos produtores e os países que as compram a preços vis e depois vendem manufaturados com alto valor agregado. Tal qual no tempo de D. João VI, agora são os reis da soja, o rei do gado, que se enriquecem com a prática dos mesmos desmandos: ocupação predatória da terra em prejuízo dos camponeses e povos originários. Também podemos acrescentar entre os que ganham muito com isso os fabricantes de defensivos agrícolas, todos estrangeiros.
Hoje os principais produtos básicos de exportação são: café em grão, suco de laranja, açúcar bruto, açúcar refinado, folhas de tabaco e ferro mineral, do que o Brasil é o maior exportador mundial. É o segundo exportador de soja em grão, farinha de soja, óleo bruto de soja, carne bovina, álcool. O quarto em carne suína e milho; é importante exportadora também de algodão, celulose, carne de frango, petróleo bruto e óleos combustíveis.
Os produtos básicos constituem 70% das exportações brasileiras, o que já seria um absurdo se fosse por volta de 50%. Essas commodities contribuíram para 5,2% do PIB em 2012 e se estima que atingirão os 8% até 2019. Essa contribuição mal alcança para pagar os juros da dívida, o que requer um superávit primário de 5% do PIB no orçamento nacional.
Os Estados Unidos (70.360 milhões T), o Brasil (61 milhões T) e Argentina (47 milhões T) concentram mais de 80% da produção de soja em grão o que, no entanto, continua abaixo da demanda mundial por esse alimento. Os preços de venda são impostos pelos compradores, principalmente na bolsa de Chicago. Os recursos advindos são poucos, além de gerar poucos empregos, pois as grandes “plantations” são em sua maioria mecanizadas e também alimentam um grande mercado de automóveis de luxo importados.
Outro problema são os altos custos para a produção da soja, bem como de todos os demais produtos do agronegócio, por causa da ausência de uma infra-estrutura adequada que torne os preços mais competitivos. É preciso mencionar a péssima qualidade das estradas,  a ausência de transporte ferroviário, de vias aquáticas e de portos, o que torna a logística brasileira a mais cara do planeta.
O comércio de sementes,  fertilizantes, agrotóxicos, armazenagem e o comércio interior são controlados por um conglomerado de empresas transnacionais as que, nos últimos anos, também têm se dedicado a monoculturas extensivas. Quando a quebra dos maiores bancos e financeiras do mundo tornou maior o risco para a especulação financeira, os especuladores dirigiram sua atenção para as commodities. E esse setor tornou-se mais atraente com a adoção da moda do biocombustível.
É emblemática a presença no Brasil de Jorge Soros, que havia conquistado a reputação de maior especulador do mundo e que agora dirige seus capitais para as plantações de soja e de cana para a indústria do álcool. A mesma coisa com Armínio Fraga, que foi o principal executivo de Soros e principal mentor das políticas econômica e monetária no Brasil nos tempos do Consenso de Washington, e que hoje tem uma grande empresa financeira que capta recursos para aplicar na produção e comércio de commodities.
Outro problema derivado dos investimentos dos especuladores e da moda do biocombustível é o abandono da agricultura tradicional, geralmente responsável pelo fornecimento de alimentos, o que tem provocado aumento nos preços, elevando a inflação,  principalmente nos domicílios das pessoas de menor renda.
O Brasil é o campeão mundial de uso de agrotóxicos sem que isso represente um melhoramento na produtividade da agricultura. São 5.2 litros de veneno por habitante/ano, um total de 852.820 milhões de litros. Cléber Folgado, coordenador da Campanha Permanente contra o Agrotóxico e pela Vida indica também que a ocupação das terras pela agroindústria de grande porte agravou a segurança alimentar da população. São 25.5 milhões de pessoas que vivem hoje sob risco alimentar entre moderado e grave.
Além do mais, o modelo coloca o país em permanente situação de risco: risco de falência, de recessão, de inflação, de extrema desnacionalização e dependência externa e as conseqüências sociais que disso advêm. O crescimento do PIB depende de condições externas. Os preços elevados dos produtos primários de hoje podem cair vertiginosamente amanhã. Segundo estudos realizados por Giovanna Siniscalchi, economista do Itaú-Unibanco, una queda de 1% no PIB da China provoca uma baixa de 5.3% nos preços das commodities. Por outro lado, o fluxo de capitais estrangeiros pode desaparecer em virtude da crise nos países de origem ou simplesmente por encontrar lugares mais lucrativos para seus investimentos.
O economista chileno Gabriel Palma, professor da Universidade de Cambridge na Grã Bretanha, no seminário internacional Latin America Advanced Programme on Rethinking  Macro and Development Economics (Laporde), promovido por essa universidade e pela Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), advertiu que a desindustrialização que o Brasil está promovendo “é inconcebível” e esclarece:
“Em 1980, o parque industrial brasileiro era maior que a soma dos da Tailândia, Malásia, Coréia do Sul e China. Em 2010, a indústria brasileira representava pouco menos de 15% do que esses países somados produziram. Construir tudo o que construíram e depois destruir em tão pouco tempo é um ato de vandalismo econômico sem  igual”.Concretamente, dados do IPEA indicam que a participação da indústria no PIB que era de 35% em 1985 caiu para cerca de 15% em 2009.
E isso seguramente não acontece por falta de conhecimento em um país que tem a Embraer, lança mísseis e satélites, mas sim por falta de vontade política. Palma reconhece que os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff  perderam uma oportunidade histórica, dada pela crise mundial iniciada em 2008, de desenvolver a indústria nacional. “O Brasil cresce sobre bases que o governo não controla, como o fluxo de capitais externos e os preços das commodities. Quando isso mudar de mãos, o Brasil terá sérios problemas”, disse.
Para Palma a saída correta será “produzir uma boa política industrial e não esses planos paliativos que o governo brasileiro está habituado a lançar”. As estimativas de crescimento do PIB para 2013 não apontam nada diferente do que em 2012, 2011 (2,7%), 2010. Ínfimo quando se considera que o país necessita de taxas superiores a 6% para que se possa oferecer emprego às novas gerações que estão batendo às portas do mercado de trabalho.
Nada parece estar programado para mudar em 2013. Basta ver o orçamento da nação já aprovado.

* jornalista editor de Diálogos do Sul.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O silêncio da sociedade sobre Blairo Maggi na Comissão de Meio Ambiente do Senado


O rei da soja matogrossense Blairo Maggi ocupa um lugar de onde nunca deveria sequer se aproximar: a Comissão de Meio Ambiente do Senado
O rei da soja matogrossense Blairo Maggi ocupa um lugar de onde nunca deveria sequer se aproximar: a Comissão de Meio Ambiente do Senado
Enquanto o Brasil ferve para derrubar o pastor Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara, um silêncio de cemitério generalizado permite que o ruralista Blairo Maggi, ganhador da Motosserra de Ouro do Greenpeace alguns anos atrás e hoje presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, trabalhe em paz aguardando, com seus colegas de latifúndio, a próxima lei ambiental para rejeitar e a próxima lei pró-ruralismo para aprovar.
Mal sabe o Brasil que o barão da soja Maggi assumiu a CMA quase na mesma época em que o fundamentalista Feliciano assumiu a CDHM, e que a comissão ambiental tem entre seus 17 titulares os ruralistas Garibaldi Alves Filho, Ivo Cassol, Kátia Abreu e José Agripino e tem o também ruralista Eunício Oliveira como suplente de seu “companheiro de latifúndio” Ivo Cassol, não contando, em contrapartida, com nenhum nome ligado direta e conhecidamente à politização da causa ambiental (fontes: site do Senado e Wikipédia).
Embora a situação da CMA aparente ser menos desconfortável do que a CDHM da Câmara Federal por não ser essencialmente encabeçada pela “gang” endinheirada das terras, é mais que incômoda a presença de cinco ruralistas, diretamente interessados no desmonte das leis ambientais brasileiras, outrora conhecidas como uma das mais rígidas legislações de proteção ambiental do mundo, e na concessão de cada vez mais privilégios socioambientais ao agronegócio que desmata, polui, degrada, escraviza, intimida e mata.
Corremos o sério risco de ver sendo barrados projetos de lei do Senado que visem a ampliação dos direitos ambientais dos brasileiros e, por isso, ver o verde do território brasileiro ser ameaçado de morte. Mas infelizmente não se vem conseguindo passar esse alarme ao Brasil. O movimento ambientalista brasileiro ainda está longe de ter a força crescente dos movimentos defensores dos Direitos Humanos e da libertação das minorias políticas e, por isso, pouco tem conseguido fazer para acordar a opinião pública sobre o problema de ter ruralistas numa comissão de meio ambiente.
Não só os Direitos Humanos estão ameaçados com Feliciano e o PSC na CDHM da Câmara, como também os nossos direitos ambientais também correm risco severo com Blairo Maggi e mais quatro defensores do latifúndio na CMA do Senado. Por isso, o ideal seria que o povo que grita e protesta contra Marco Feliciano também faça o mesmo contra os ruralistas que estão na comissão que deveria assegurar a integridade da porção brasileira da biosfera.