terça-feira, 23 de agosto de 2011

Hominídeo pode ter sido o primeiro cozinheiro do mundo, diz estudo

23/08/2011 11h01 - Atualizado em 23/08/2011 11h01

Dente de 'Homo erectus' aponta que espécie já sabia processar a comida.
'Parente' do homem viveu há 1,9 milhões de anos e já está extinto.

Do G1, em São Paul 
O Homo erectus, que evoluiu há 1,9 milhões de anos e já está extinto, pode ter sido a primeira espécie de hominídeo a cozinhar e preparar comida, segundo um estudo feito por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. O trabalho foi divulgado pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
O ato de processar a comida permitiu que os humanos tivessem maiores chances de sobrevivência e de manter a saúde por garantir uma alimentação com mais calorias.
O biólogo Chris Organ e outros pesquisadores acreditam que humanos gastariam 48% do dia comendo caso fossem primatas comuns. Mas o tempo gasto pelas pessoas para se alimentar é, na verdade, apenas 5% do dia.
Para descobrir quando os ancestrais dos humanos modernos passaram a cozinhar, a equipe estudou o tamanho dos dentes, o peso e o DNA de humanos, 14 hominídeos extintos e primatas não humanos. O grupo descobriu que as espécies H. erectus, H. neanderthalensis e H. sapiens (humanos) apresentam molares menores que outros primatas.
Com a passagem do tempo, os molares dos hominídeos foram tornando-se menores, assim como o maxilar e órgãos internos.No caso dos mais antigos como H. habilis ou o H. rudolfensis, essa mudança é explicada pelos autores como uma evolução natural, possível de ser explicada somente pelo tamanho dos corpos e pela filogenia.
Já no caso do H. erectus, H. neanderthalensis e H. sapiens essa diminuição dos molares só pode ser explicada, segundo os autores, pela capacidade que esses hominídeos tinham em processar a comida com ferramentas e fogo, tornando os alimentos mais fáceis de serem consumidos e reduzindo o tempo das refeições.
Crânio do Homo erectus, que pode ter sido a primeira espécie de hominídeo a cozinhar. (Foto: Alfredo Dagli Orti / The Art Archive / The Picture Desk) 
Crânio do 'Homo erectus', descoberto na ilha de Java, na Indonésia. A espécie pode ter sido a primeira de hominídeo a saber cozinhar alimentos. (Foto: Alfredo Dagli Orti / The Art Archive / The Picture Desk)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Telescópio Herschel encontra moléculas de oxigênio no espaço

01/08/2011 13h32 - Atualizado em 01/08/2011 13h32

Moléculas foram encontradas em áreas de formações de estrelas.
Segundo a Nasa, é a primeira descoberta desse tipo no espaço.

Do G1, em São Paulo
O Observatório Espacial Herschel, uma missão da Agência Espacial Europeia (ESA) e da agência espacial americana (Nasa), divulgou nesta segunda-feira (1º ) a primeira descoberta de moléculas de oxigênio no espaço.

Moléculas de oxigênio encontradas pelo telescópio Herschel na formação de estrelas Órion (Foto: JPL-Caltech/ESA/Nasa) 
Moléculas de oxigênio encontradas pelo telescópio Herschel
em Órion (Foto: JPL-Caltech/ESA/Nasa)
Segundo os pesquisadores, o telescópio encontrou as moléculas na nebulosa de Órion, presos em pequenas partículas de gelo ao redor de poeira espacial.
As moléculas teriam sido formadas depois que as estrelas aqueceram o gelo, liberando água, convertida em oxigênio.
Embora átomos de oxigênio individuais sejam comuns, especialmente ao redor de estrelas, moléculas como as da Terra ainda não haviam sido descobertas, segundo a agência americana.
“O oxigênio foi descoberto nos anos 1770, mas levamos mais de 230 anos para finalmente poder dizer com certeza que essa simples molécula existe no espaço”, afirmou Paul Goldsmith, cientista do projeto da Nasa no laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, na Califórnia, que publicou os resultados da descoberta na revista especializada Astrophysical Journal.
Astrônomos procuraram por moléculas no espaço por décadas. O telescópio Odin encontrou a molécula em 2007, mas a descoberta não pôde ser confirmada.
“Isso explica onde parte do oxigênio estava escondido”, diz Goldsmith. “Mas nós não encontramos grandes quantidades, e ainda não entendemos o que há de tão especial sobre os lugares onde o encontramos. O Universo ainda esconde muitos segredos.”
O objetivo é continuar procurando por moléculas nas áreas de formações de estrelas. “O oxigênio é o terceiro elemento mais comum no Universo e suas moléculas devem ser comuns no espaço”, diz Bill Danchi, cientista da Nasa em Washington que trabalha no projeto. “O Herschel está fornecendo uma ferramenta poderosa para desvendar esse mistério.”
Gráfico ilustra onde os astrônomos encontraram as moléculas no espaço, na formação de estrelas Órion (Foto: JPL-Caltech/ESA/Nasa) 
Gráfico ilustra onde os astrônomos encontraram as moléculas no espaço, na nebulosa de Órion (Foto: JPL-Caltech/ESA/Nasa)